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Onicomadese: o que é e como tratar?

Um resumo sobre onicomadese, uma alteração ungueal que o Pediatra precisa conhecer.

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Estima -se que cerca de 7% das crianças menores de 2 anos tenham algum tipo de alteração ungueal, e que isso represente até 11% dos motivos de encaminhamento ao Dermatologista Pediátrico [1].
As doenças dos fâneros são pouco estudadas pelos Pediatras. Geralmente, esses casos – até mesmo os mais simples – são encaminhados ao Dermatologista. Todavia, as alterações nas unhas são comuns em crianças, e não é raro encontrarmos casos clínicos no dia a dia dos consultórios e pronto-socorros. Precisamos estar atentos aos sintomas e às doenças mais comuns para podermos orientar melhor nossos pacientes.

Um caso ilustra bem essa necessidade. Atendi no Pronto-Socorro uma criança de 4 anos e fiz diagnóstico de Síndrome Mão-pé-boca. Após 2 semanas, a criança retorna, coincidentemente comigo, com a queixa de unhas quebradiças. Tratava-se de onicomadese, doença já bem documentada e tendo como uma das principais causas o vírus Coxsackie.

Leia esta nossa revisão e aprenda mais um pouco sobre esta patologia.

 

ONICOMADESE: Definição

Onicomadese é a separação da placa ungueal proximal da matriz ungueal e do leito ungueal, devido à parada do crescimento da matriz ungueal [UpToDate atualização maio 2018].

https://www.indianpediatrics.net/aug2014/aug-677.htm

 

Causas

Várias etiologias são responsáveis pelo surgimento da onicomadese. Entre elas, destacam-se o trauma, geralmente acometendo somente uma unha, e as infecções, principalmente a Síndrome Mão-pé-boca, acometendo várias unhas [UpToDate atualização maio 2018] .

Como causas possíveis da onicomadese, encontramos:

  • Trauma (onicotilomania, trauma ao cortar unhas e uso de calçados apertados);
  • Infecções: após Síndrome Mão-pé-boca ou Herpangina, causadas pelo vírus Coxsackie [234]. Estes casos são relacionados mais frequentemente com o sorotipo A6 e ocorrem geralmente 3-8 semanas após a doença;
  • Medicamentos: retinóides, quimioterápicos e valproato de sódio [5];
  • Síndrome de Gianotti-crosti [6]: Leia nossa revisão deste assunto no link abaixo;
  • Doença de Kawasaki [7];
  • Idiopática e/ou familiar [8,9];
  • Doença cutânea local (dermatite e paroníquia).

Síndrome de Gianotti Crosti

 

Sinais e sintomas

Fonte

A onicomadese é geralmente assintomática, encontrada como achado de exame físico. Pode haver queixa de unhas fracas e quebradiças.

As unhas podem ficar opacas, com estrias brancas ou amarelas. Às vezes, podemos encontrar paroníquia (infecção fúngica ou bacteriana na parte onde a unha encontra a pele no leito ungueal ou na lateral da unha).

 

Tratamento

Não há tratamento específico para a onicomadese. Caso seja identificada uma doença de base ou uma medicação desencadeante, direcionar o tratamento para esta doença de base e/ou realizar a substituição, se possível, da medicação.

As alterações resolvem-se espontaneamente e sem deixar sequelas [UpToDate atualização maio 2018]. As unhas crescem espontaneamente, sendo que as das mãos crescem mais rapidamente do que as dos pés. Assim, esta última pode demorar mais tempo para a resolução, muitas vezes de 2 a 3 meses.

 

 

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1. Susana Gomes,  André Lencastre, Maria João Paiva Lopes. Alterações ungueais em Pediatria. NASCER E CRESCER – Revista do Hospital de Crianças Maria Pia. Ano 2012, vol XXI, n.º 1.
  2. Sung-Hsi Wei, Yuan-Pin Huang, Ming-Chih Liu, Tsung-Pei Tsou, Hui-Chen Lin, Tsuey-Li Lin, Chen-Yen Tsai, Yen-Nan Chao, Luan-Yin Chang, Chun-Ming Hsu. An outbreak of coxsackievirus A6 hand, foot, and mouth disease associated with onychomadesis in Taiwan, 2010. BMC Infectious Diseases 2011 11:346.
  3. Javier López Davia, Pablo Hernández Bel, Violeta Zaragoza Ninet, María Alma Bracho, Fernando González‐Candelas et al. Onychomadesis Outbreak in Valencia, Spain Associated with Hand, Foot, and Mouth Disease Caused by Enteroviruses. Pediatric Dermatology, Volume 28, Issue 1, January/February 2011, Pages 1-5.
  4. J Guimbao, P Rodrigo, M J Alberto, M Omeñaca. Onychomadesis outbreak linked to hand, foot, and mouth disease, Spain, July 2008. Eurosurveillance, Volume 15, Issue 37, 16/Sep/2010.
  5. Andrea Poretti, Ulrich Lips, Marco Belvedere, Bernhard Schmitt. Onychomadesis: A Rare Side‐Effect of Valproic Acid Medication? Pediatric Dermatology, Volume 26, Issue 6, November/December 2009, Pages 749-750.
  6. Carmo Ferreira, Fábia Carvalho, Inês Medeiros, Ana Paula Vieira, Helena Silva. Síndrome Gianotti-crosti e onicomadese em criança com infeção aguda por parvovírus. Nascer e Crescer,  Vol 24 (2015).
  7. Allen R. Ciastko. Onychomadesis and Kawasaki disease. CMAJ April 16, 2002 166 (8) 1069.
  8. Anu Mehra, Richard J. Murphy, Barbara B. Wilson. Idiopathic familial onychomadesis. JAAD, August 2000, Volume 43, Issue 2, Part 2, Pages 349–350.
  9. Jori Hardin, Richard M. Haber. Idiopathic Sporadic Onychomadesis: Case Report and Literature Review. Arch Dermatol. 2012;148(6):769-770. doi:10.1001/archdermatol.2012.81.
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Dr. Breno Nery

Médico pediatra especializado em medicina intensiva pediátrica, com graduação pela Universidade Federal de Pernambuco e especialização pela Unicamp.

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