OdontopediatriaSaúde da Criança

Amamentação e Odontopediatria: por que o aleitamento materno é benéfico ao desenvolvimento dos bebês?

Compartilhe conhecimento:

A alimentação durante o primeiro ano de vida é fundamental para o crescimento e o desenvolvimento da criança – já discutimos este assunto aqui no PortalPed, e você pode encontrar mais informações nos links que deixaremos a seguir!

O aleitamento materno é considerado por todos os especialistas como o mais natural e desejável método de alimentação infantil – isso vale tanto para a saúde do corpo quanto a saúde psicológica da criança.

Mas você sabia que amamentar uma criança ajuda na formação dos dentes e de toda a estrutura óssea e muscular que permitirá uma boa mastigação, respiração e fala no futuro?

A amamentação representa o fator inicial do bom desenvolvimento dos dentes e da face, favorecendo a obtenção de uma “mordedura” normal e, consequentemente, mastigação correta.

BENEFÍCIOS DA AMAMENTAÇÃO

Imunidade, laços afetivos, desenvolvimento do crânio e da face e muito mais!

O leite da mãe tem sido considerado o melhor alimento para o recém-nascido do ponto de vista nutricional, pois reforça a imunidade do bebê contra doenças infecciosas e alérgicas e exerce importante papel na redução da mortalidade infantil.

Veja a seguir uma lista de benefícios à saúde da criança já comprovados e que são decorrentes da amamentação:

De acordo com a Academia Norte-Americana de Pediatria, estas são algumas doenças e alguns problemas de saúde com incidências menores em crianças que foram amamentadas:

  •       infecção bacteriana 
  •       diarreia
  •       infecção do trato respiratório
  •       enterocolite necrosante
  •       inflamação de ouvido
  •       infecção do trato urinário
  •       sepse tardia em prematuros
  •       diabetes tipo 1 e tipo 2
  •       linfoma, leucemia e doença de Hodgkins
  •       sobrepeso e obesidade infantil

Além disso, durante a amamentação, ocorre um íntimo contato entre mãe e filho, havendo troca de amor, fortalecendo o elo afetivo mãe-bebê, o qual é importante para o desenvolvimento psicoafetivo da criança. Em outras palavras: amamentar ajuda o bebê a se adaptar ao novo mundo!4

O ato de sucção também traz benefícios. O bebê que mama no peito da mãe recruta os músculos certos para o correto desenvolvimento craniofacial. Este procedimento…

  • induz interação das funções de sucção, deglutição e respiração;
  • ajuda no correto desenvolvimento da musculatura da face;
  • favorece a defesa imunológica;
  • reduz o risco de mortalidade infantil;
  • contribui para uma curva de peso mais regular;
  • regula a temperatura corporal e
  • melhora a digestão

O QUE A FALTA DE AMAMENTAÇÃO ACARRETA EM TERMOS DE DENTIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA FACE?

Há problemas de desenvolvimento que podem ser prevenidos pela amamentação

Mencionamos, acima, que a criança que é amamentada no peito possui desenvolvimento aprimorado dos dentes, ossos e músculos da região da face. Mas o que acontece com os pequenos que não foram ou não puderam ser amamentados pela mãe?

Evidências sugerem que a falta de estimulação adequada das funções orais e da sucção pode ocasionar alguns desvios ou modificações no desenvolvimento da boca. Isso inclui “mordeduras” erradas (com dentes desalinhados, por exemplo), hábitos orais não positivos, como chupar os dedos, ter bruxismo etc., e a respiração pela boca. Estas questões podem começar a aparecer em idades muito precoces, principalmente logo após o nascimento.

Outra situação frequente é que a criança que não é amamentada ao seio tem a tendência de chupar o dedo. Sabe por que isso acontece?

Todo bebê possui ao nascer dois estados de fome: a chamada fome neural e a fome fisiológica. A fome fisiológica, ou seja, a fome “de verdade”, é rapidamente saciada quando a criança se alimenta. Já a fome neural, a fome “psicológica”, demanda um tempo de sucção maior, e pode ser observada pelo tempo maior junto ao seio, mesmo com a fome fisiológica satisfeita.

Em outras palavras, a criança necessita exercitar a musculatura da região da boca, e isso independe de sua fome “de verdade”.

MAS AFINAL, DEVO OU NÃO DEVO DAR CHUPETA À CRIANÇA?

Atualmente, a literatura a respeito da prevenção de hábitos bucais tem valorizado a amamentação natural por tempo adequado. O aspecto cultural de que chupar chupeta ou tomar mamadeira fazem parte da infância está tão arraigado no subconsciente coletivo que muitas famílias não conseguem evitar o hábito e outras até o incentivam.

Será que chupetas e mamadeiras valem a pena? Vamos ver a diferença entre mamar no peito e mamar na mamadeira…

No ato da sucção na mama, a criança faz um esforço que estimula músculos importantes, causando também uma fadiga que contribui para que ela não adquira hábitos deletérios.

Por outro lado, quando a criança é alimentada pela mamadeira, isso exige um menor esforço, estimulando ma quantidade menor de músculos.

Amamentado de forma natural, o bebê faz cerca 2.000 a 3.500 movimentos mandibulares, enquanto que, através da alimentação artificial (mamadeira), os movimentos limitam-se a 2.000.

Com isso, o bebê acaba buscando outros meios para satisfazer o prazer emocional que a sucção traz (por meio de maus hábitos bucais, como a sucção do dedo e da chupeta).

No ato de amamentar, a criança faz um verdadeiro “exercício físico” contínuo, que propicia o desenvolvimento da musculatura e da ossatura bucal, resultando em desenvolvimento facial harmônico.

Conclusões

A amamentação no peito deve ser sempre estimulada, pois cada mamada representa uma vacina para o bebê. O aleitamento materno fornece todos os nutrientes necessários à criança, aumenta a proteção fisiológica e desenvolve estruturas ósseas, psicológicas e neurológicas – e até mesmo os dentinhos!

Os benefícios não são apenas para o momento atual, como também para todo o desenvolvimento da criança.

Diversos trabalhos mostram e concordam que o dentista, sendo um profissional da área de saúde, deve ser apto a orientar, tanto durante a gravidez quanto para as recém-mamães, sobre a necessidade de desenvolvimento dos hábitos alimentícios corretos. Além disso, deve justificar e enfatizar o que pode ser alcançado com a amamentação exclusiva e quais as suas relações com o desenvolvimento do complexo mandibular e do sistema imunológico.


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1. Moyers RE. Handbook of orthodontics. Chicago: Yearbook Medical; 1994.
  2. BITTENCOURT, L.P. et al. Influência do aleitamento sobre a frequência dos hábitos de sucção. Rev Bras Odontol, v. 3, n. 58, p. 191-193, 2001.
  3. SOUSA, A.M.L. A amamentação e a Odontologia. Rev Assoc Paul Cir Dent. v. 51, n. 4, p. 387. 1997.
  4. CORRÊA, M.S.N.P.; et al. Saúde bucal do bebê ao adolescente. Guia de Orientação. São Paulo: Santos, 2005.
  5. GIUGLIANI, E.R.J.; VICTORA, C.G. Alimentação complementar. J Pediatr. v. 76, n. 3. Supl. p. 253-262, 2000.
  6. SILVA, Jacqueline Lima; da; et al. IMPLICAÇÕES DO ALEITAMENTO MATERNO NO DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO. In: Anais da Mostra de Pesquisa em Ciência e Tecnologia 2017. Anais…Fortaleza (CE) DeVry Brasil – Damásio – Ibmec, 2017. Disponível em: <https//www.even3.com.br/anais/mpct2017/44095-IMPLICACOES-DO-ALEITAMENTO-MATERNO-NO-DESENVOLVIMENTO-DO-SISTEMA-ESTOMATOGNATICO.
  7. Organização Mundial da Saúde – OMS. Recomendações sobre aleitamento materno. Disponível em: http://www.unicef. org/programme/ breastfeeding/baby.htm. PLANAS, P. Reabilitação Neuro-oclusal. 2.ed. Rio de Janeiro: Medsi,1988.
  8. CAMARGO, M. C. F. de. Programa Preventivo de Maloclusões para Bebês. In: GONÇALVES, E. A. N.; FELLER, C. Atualização na Clínica Odontológica. São Paulo: Apcd. Cap. 17, p. 405-442, 1998.
  9. Ferreira FV, et al. Associação entre a duração do aleitamento materno e sua influência sobre o desenvolvimento de hábitos orais deletérios. Rev Sul-Bras Odontol. 2010 Mar;7(1):35-40.
  10. Oliveira, NMC; Botelho, KVG. Importância do aleitamento materno no desenvolvimento do sistema estomatognático na primeira infância. Ciências biológicas e da saúde | Recife | v. 2 | n. 3 | p. 75-82 | Jul 2015 | periodicos.set.edu.br.
  11. Serra-Negra JMC, et al. Estudo da associação entre aleitamento, hábitos bicais e maloclusöes. Rev Odontol Univ Cid São Paulo. 1997;11(2):79-86.
  12. Corrêa MSNP. Odontopediatria na primeira infância. 3 ed. São Paulo: Ed. Santos; 2009.
  13. Miotto, MHMB: et al. Aleitamento materno como fator de proteção contra a instalação de hábitos bucais deletérios. Rev. CEFAC. 2014 Jan-Fev; 16(1):244-251.
  14. Medetros EB, Rodrigues MJ. A importância da amamentação natural para o desenvolvimento do sistema estomatognático do bebê. Rev Cons Reg Pernamb 2001; 4(2):79-83.
  15. Queluz DP, Gimenez CMM. Aleitamento e hábitos deletérios relacionados a oclusão. Rev Paul Odontol 2000; 22(6):16-20.
  16. Tollara MN, et al. Aleitamento natural. In: Corrêa MSNP. Odontopediatria na primeira infância. São Paulo: Editora Santos; 2005. p. 83-98.
  17. Neiva FCB, et al. Desmame precoce: implicações para o desenvolvimento motor-oral. J Pediatr2003; 79(1):07-12.
  18. Medeiros EB, Rodrigues MJ. A importância da amamentação natural para o desenvolvimento do sistema estomatognático do bebê. Rev. Cons. Reg. Odontol. Pernambuco 2001; 4(2):79-83.
  19. Galbiatti F, et al. Odontologia na primeira infância: sugestões para a clínica do dia-a-dia. J Bras OdontopediatrOdontolBebê 2002; 5(28):512-517.
  20. Antunes LS, et al. Amamentação natural como fonte de prevenção em saúde. Ciênc. Saúde coletiva 2008; 12(1):103-109.
  21. Moimaz SA, Rocha NB, Garbin AJ, Saliba O: The relation between maternalbreast feeding and non-nutritive sucking habits. CienSaudeColet 2011, 16:2477–2484.
  22. Geddes DT, et al. Characterisation of sucking dynamics of breastfeeding preterm infants: a crosssectional study. BMC Pregnancy Childbirth. 2017 Nov 17;17(1):386.
Etiquetas
Mostrar mais

PortalPed

Somos um grupo de pediatras que adoram compartilhar conhecimentos sobre a profissão com nossos colegas, com estudantes de Medicina e com o público no geral. Venha conosco nesta jornada de aprendizado!

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao topo