Pediatria Geral

Suspeita de fratura nasal: o que fazer?

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Faz parte da vida de uma criança brincar, correr, pular – e se machucar! A maior parte dos arranhões, das lesões e das fraturas é facilmente identificável visualmente e não passa despercebida, porque gera dores e desconforto. 

Mas e aqueles machucados que não doem e que não são aparentes, mas que podem comprometer bastante o desenvolvimento da região afetada? As fraturas nasais entram nessa categoria. 

Por incrível que pareça, os chamados microtraumatismos no nariz são bastante comuns na infância. São pequenas lesões ou fraturas nos ossos ou na cartilagem do nariz, decorrentes de quedas, contato físico com os amiguinhos, acidentes durante brincadeiras com bola etc. Talvez a criança reclame de dor na hora da lesão, mas depois logo se esqueça dela. Talvez os pais nem vejam que há alguma lesão. Mas ela aconteceu, está ali presente no nariz, e precisa ser cuidada. Afinal, traumatismos recorrentes tornam-se acumulativos, comprometendo o desenvolvimento nasal.

Veremos, a seguir, o que são as fraturas nasais, como ocorrem, quais os graus de severidade e como é feito o tratamento.

Nariz: o que pode “quebrar em caso de acidente? 

O nariz é constituído por ossos, cartilagens e partes moles. Além da fratura nasal, também podem ocorrer luxação e lesão do pericôndrio da cartilagem nasal.

As principais causas de fraturas faciais em crianças com até 18 anos de idade incluem quedas e acidentes com algum tipo de veículo (velocípede, bicicleta, patins, patinete, skate, acidente automobilístico), além de outros como violência, acidentes domésticos, fratura patológica e golpes durante prática de algum esporte.

O septo nasal da criança é constituído fundamentalmente por cartilagem, a qual se ossifica, gradualmente, a partir da idade pré-escolar. A cartilagem nasal possui estrutura elástica, capaz de amortecer contatos físicos. Porém, o efeito do traumatismo e suas consequências têm relação direta com a intensidade com que o impacto ocorre, a direção do golpe e o local do trauma.

Após um trauma na face, caso haja edema dos tecidos moles perinasais e do nariz, há suspeita de fratura nasal; nesses casos, é importante uma avaliação médica. A lesão do pericôndrio da cartilagem nasal pode comprometer o crescimento e desenvolvimento nasal, acelerando ou retardando-o, por estimular ou inibir a atividade celular.

Quando suspeitar de uma fratura nasal?

  • história de trauma, queda, golpe;
  • inchaço nasal;
  • hematoma periorbital;
  • alargamento nasal;
  • sangramento pós-trauma;
  • obstrução nasal pós-trauma.

Tratamento das fraturas nasais

O tratamento de fratura nasal pode ser clínico, expectante, com seguimento ambulatorial, ou cirúrgico (de urgência, dentro de até 72 horas após a história do trauma, ou após 30 dias do ocorrido, que é quando já haverá melhora do inchaço).

Um estudo recente mostra que tanto a abordagem cirúrgica precoce (em até 7 dias) quanto a tardia (após um mês do trauma) têm resultados estéticos semelhantes e bons.

Tratamento Clínico:

O tratamento clínico para fraturas nasais deve ser realizado quando houver…

  • Fraturas simples 
  • Desvio de septo leve;

Nesses casos, o indicado é o uso de compressa fria (gelo) dentro das primeiras 48 horas após o trauma. Utilize soro fisiológico para higiene nasal e, se houver inchaço, um anti-inflamatório não hormonal poderá ser usado, sempre com orientação médica. 

Não é incomum, nesses casos, que haja uma leve redução manual pelo médico especialista (otorrinolaringologista) – é quando o médico “coloca no lugar” os ossos, usando esparadrapagem ou aquaplast (gesso nasal).

Tratamento Cirúrgico:

Existem casos de fraturas graves nasais e que exigem tratamentos cirúrgicos. São eles:

  • Fraturas graves (quando há quebra de ossos em mais de 02 fragmentos);
  • Desvio de septo importante, obstrutivo;
  • Retração da columela (columela é a região externa do nariz entre as duas narinas);

Nesses casos, deve ser realizada redução da fratura em centro cirúrgico com paciente em sedação. 

Em casos de fraturas discretas ou severas, após o atendimento da criança no pronto socorro, é importante que se faça um seguimento ambulatorial com o otorrinolaringologista, para uma reavaliação do tratamento proposto pela equipe médica.

O responsável e a criança (quando capaz de ser orientada) precisam estar cientes da necessidade de um maior cuidado para não haver novas quedas ou novos traumas dentro dos próximos 30 dias – que é o tempo para consolidação da fratura.

A compressa fria nas primeiras 48 horas auxilia na diminuição do inchaço. Se houver formação de equimose (hematoma), evitar exposição ao sol e usar protetor solar, para não ocorrer formação de manchas na pele.

Fratura Nasal: resumo

Crianças que não recebem atenção adequada após um trauma nasal podem apresentar obstrução nasal e deformidades externas, com acometimento da estética nasal e/ou facial. Isso sem contar os problemas internos, não aparentes, e que podem se tornar cumulativos. O diagnóstico de fratura nasal e o tratamento médico adequado são, portanto, essenciais para o desenvolvimento normal e adequado do nariz.

É aconselhável que seja realizada pelo menos uma avaliação com especialista (o otorrinolaringologista) na primeira semana após o trauma nasal.


 Referências científicas 

  1. Sedano, Homero Fuertes. (2003). Traumatismo Nasal e Sua Repercussão Anatomo-Funcional. Em: VIII Manual de Otorrinolaringologia Pediátrica. Cap. 15, 140-143. Disponível em: http://www.iapo.org.br/novo/secao.asp?s=44.
  2. Chrcanovic, Bruno Ramos, Abreu, Mauro Henrique Nogueira Guimarães, Freire‐Maia, Belini, Souza, Leandro Napier. (2010). Facial fractures in children and adolescents: a retrospective study of 3 years in a hospital in Belo Horizonte, Brazil. Dental Traumatology, 26 (3), 262-270. June, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1600-9657.2010.00887.
  3. Lee, Dong Hwan, Jang, Yong Ju.(2013). Pediatric nasal bone fractures: does delayed treatment really lead to adverse outcomes? Int J Pediatr Otorhinolaryngol; 77(5): 726-31. May, 2013.Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ijporl.2013.01.027
  4. Yabe, Tetsuji, Tsuda, Tomoyuki, Hirose, Shunsuke, Ozawa, Toshiyuki. (2012). Comparison of pediatric and adult nasal fractures. Japão. J Craniofac Surg; 23(5): 1364-6. Disponível em: doi: 10.1097/SCS.0b013e31824dfb7b.
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