Ética Médica

Por Que Médicos Ainda Prescrevem Tratamentos Ineficazes?

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“Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder, nunca para causar dano ou mal a alguém.”
Juramento de Hipócrates

Primum non nocere. Essa máxima, atribuída (talvez erroneamente) a Hipócrates (460 a.C.–377 a.C.), é um dos pilares da bioética ensinados a todos os estudantes de medicina ao redor do mundo. Essa frase em latim (que, numa tradução livre, significaria “primeiro, não fazer o mal”) é uma aproximação do que se lê de maneira mais precisa no Corpus Hippocraticum, encontrado no Epidemics: “o médico deve… ter dois objetivos, fazer o bem e evitar fazer o mal.”

É o princípio da não maleficência, e aconselha os médicos a considerarem os possíveis riscos que qualquer intervenção pode ter. Assim, dado um problema existente, pode ser melhor deixar de fazer algo, ou mesmo não fazer nada, do que arriscar causar mais mal do que bem. [1]

Para uma preocupação tão antiga, no entanto, o problema permanece atual.

Quando um médico fornece um conselho sobre saúde ou quando um convênio paga por um tratamento recomendado, o paciente muito certamente presume que isso seja baseado em evidência sólida. Mas uma grande quantidade de práticas clínicas que são cobertas por planos privados e programas públicos não é. [2]

Em muitos casos, tratamentos oferecidos rotineiramente não são rigorosamente testados por anos. Benefícios são assumidos, danos são ignorados.

Em 2018, o NHS (National Health System) inglês propôs parar ou reduzir o financiamento de 17 procedimentos, incluindo cirurgias para roncos, injeções para lombalgia e artroscopia de joelho para osteoartrites, em favor de “tratamentos menos invasivos e mais seguros que sejam igualmente eficazes.” [3]

Esses procedimentos foram divididos em duas categorias:

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Dr. Antonio Aurelio Euzebio Jr

Médico pediatra especializado em medicina intensiva pediátrica, com graduação e especialização pela Unicamp.
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