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Trauma hepático em crianças

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As férias escolares são o período do ano em que a incidência de trauma aumenta nas crianças. A grande maioria dos traumas abdominais é fechado, sendo os órgãos sólidos os mais propensos a serem lesados. Entre eles, o fígado é um dos mais acometidos. Leia nossa revisão específica sobre trauma hepático e saiba como diagnosticar e conduzir.

Introdução

O trauma permanece como principal causa de morte e sequelas na infância. Nos EUA, quase 1 a cada 6 crianças são atendidas para tratamento de lesões traumáticas por ano, chegando a 10 milhões de atendimentos. Assim, o trauma é considerado um problema de saúde pública. As principais causas que levam a morte ou sequelas são: falhas na abordagem da via aérea, suporte ventilatório inadequado, falha no reconhecimento e tratamento das hemorragias intracranianas e abdominais. A abordagem geral da criança com trauma abdominal contuso é a mesma de qualquer criança gravemente ferida [2]. A avaliação inicial desses pacientes deve, primeiro, abordar lesões com risco de vida que comprometam as vias aéreas, a respiração e a circulação [2]. Crianças hemodinamicamente instáveis ​​com suspeita de lesão intra-abdominal que não respondem à infusão de cristalóides e transfusão de sangue durante a estabilização justificam laparotomia de emergência [2].O abdome é a terceira região anatômica mais lesionada em crianças, depois da cabeça e das extremidades, estando presente em até 25% dos traumas graves [3,4]. Trauma abdominal contuso ocorre em 10 a 15% das crianças acidentadas. Lesões de órgãos sólidos são comuns em crianças que sofrem traumas graves; o órgão isolado mais acometido é o baço. Lesões do fígado, baço e pâncreas ocorrem em dois cenários típicos: lesão isolada causada por um golpe direto no abdômen superior ou trauma multissistêmico causado por mecanismos de alta energia (acidente de automóvel ou queda de grande altura) [5]. A aplicação dos princípios do ATLS(Advanced Trauma Life Support) têm impacto significativo na sobrevida [1]. Traumas associados a veículos automotores, quedas, afogamentos, incêndios, homicídios, além do abuso, nos menores de 12 meses, são as principais causas de mortalidade. As quedas são responsáveis pela maioria dos traumatismos na infância, mas raramente resultam em morte [1]. Geralmente na criança, por suas características, a regra é a ocorrência de trauma multissistêmico. Desta forma deve-se presumir que todos os órgãos e sistemas estejam lesados, até que se prove o contrário [1]. Assim, nos casos com indicação, a transferência para um Centro especializado deve ser realizada precocemente [1].

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Dr. Breno Nery

Médico pediatra especializado em medicina intensiva pediátrica, com graduação pela Universidade Federal de Pernambuco e especialização pela Unicamp.

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