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Epidemiologia, Tempo de Afastamento e Precaução para as Principais Doenças Infectocontagiosas.

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Existem diversas doenças infectocontagiosas no Brasil e diariamente nos deparamos com situações em que temos que estabelecer o tempo de afastamento da escola, explicar aos pais as formas de transmissão e período de incubação e decidir se um paciente internado necessita de alguma precaução específica de acordo com sua doença. Fizemos uma revisão para deixar esses dados mais organizados e fácil de consultar. 

Adenovírus

Existem mais de 50 sorotipos distintos que podem causar infecção em humanos. Os adenovírus mais comumente causam doenças respiratórias, que podem variar desde o resfriado comum até pneumonia, crupe e bronquiolite. Dependendo do tipo, os adenovírus podem causar outras doenças como gastroenterite, conjuntivite, cistite e, menos comumente, doença neurológica.

Forma de transmissão: a transmissão se dá por contato pessoa a pessoa, pelo ar (tosse/espirros) e por tocar em superfície contaminada pelo vírus e em seguida levar a mão à boca e aos olhos. Alguns adenovírus podem se espalhar através das fezes de uma pessoa infectada, como, por exemplo, durante a troca de fraldas. Também pode se espalhar pela água, como em piscinas, mas isso é menos comum.

Período de incubação:

  • Infecção de vias aéreas: 2-14 dias.
  • Manifestações gastrointestinais: 3-10 dias.

Período de transmissão: às vezes o vírus pode ser excretado por meses após uma pessoa se recuperar de uma infecção por adenovírus. Esse “derramamento de vírus” geralmente ocorre sem quaisquer sintomas.

Afastamento recomendado:

  • Até melhora dos sintomas para doenças respiratórias e gastrointestinais.
  • Para conjuntivites, 14 dias após o início dos sintomas no 2º olho acometido.

Precaução para pacientes internados:

  • Infecção de vias aéreas: precaução de contato e gotículas além de precaução padrão por todo período que dure a internação.
  • Conjuntivite e manifestações gastrointestinais: precaução de contato e padrão enquanto persistirem os sintomas.

 

Arboviroses (Dengue, Zika vírus, Chikungunya e Febre Amarela)

Forma de transmissão: são vírus RNA que são transmitidos principalmente através da picada de mosquitos infectados.  A propagação pode-se dar também via pessoa-artrópode e artrópode-pessoa (transmissão antroponótica). Em algumas arboviroses, a transmissão pode ocorrer também diretamente de uma pessoa a outra através de transfusão de sangue, transplante de órgãos, transmissão intrauterina, transmissão sexual e, possivelmente, pelo leite materno.

Período de incubação: 2-15 dias. Pode ser mais prolongado em pacientes imunocomprometidos.

Período de transmissão: as pessoas infectadas, sintomáticas e assintomáticas, podem transmitir os vírus desde 1-2 dias antes do início dos sintomas até durante todo o período de viremia (de aproximadamente 7 dias). A replicação do vírus em mosquitos leva de 8-12 dias e os mosquitos se mantêm infectados durante toda a vida.

Afastamento recomendado: não necessita de afastamento, porém é recomendado repouso por 10 dias.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão.

Chlamydophila pneumoniae

Forma de transmissão: ocorre de pessoa a pessoa através das secreções de vias respiratórias infectadas.

Período de incubação: média de 21 dias

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de gotículas enquanto persistirem os sintomas.

Coqueluche (Pertussis)

Causada pela Bordetella pertussis, bacilo Gram negativo. Os seres humanos são os únicos reservatórios conhecidos.

Forma de transmissão: contato íntimo com pessoas infectadas, através de gotículas em aerossol. A vacinação e a infecção não promovem imunidade permanente.

Período de incubação: 7-10 dias, podendo varia de 5-21 dias.

Período de transmissão: as pessoas infectadas são mais contagiosas durante a fase catarral e as 2 primeiras semanas após o aparecimento da tosse.

Afastamento recomendado: por 5 dias após o início do tratamento apropriado.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de gotículas por 5 dias após o início do tratamento adequado.

Caso não receba o tratamento adequado, o isolamento é por 3 semanas após o início da tosse.

Enterovírus (vírus Coxsackie dos grupos A e B, echovírus e enterovírus numerados)

Esse grupo de vírus está relacionado com manifestações pulmonares, gastrointestinais, cutâneas, cardíacas, musculares, oftálmicas e do sistema nervoso central. Existem mais de 100 sorotipos. Os seres humanos são os únicos reservatórios conhecidos de enterovírus humano.

Forma de transmissão: pelas vias fecal-oral, respiratória, vertical e através do leite materno. Também pode ocorrer através de fômites.

Período de incubação: 3-6 dias, exceto para a conjuntivite hemorrágica aguda, em que o período de incubação é de 24-72 horas.

Período de transmissão: a propagação fecal dos vírus pode persistir por várias semanas a meses após o aparecimento da infecção. Já a propagação por via respiratória dura de 1-3 semanas. A transmissão pode ocorrer mesmo através do paciente assintomático.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão, além de precaução de contato em RN e lactentes ao longo da duração dos sintomas

Epstein-Barr Vírus (EBV)

Também conhecido como Herpes vírus 4, é o causador da mononucleose infecciosa. Os seres humanos são o único reservatório para o vírus e 90% dos adultos já contraíram a infecção.

Forma de transmissão: a transmissão se dá por contato com saliva e pode ser que seja transmitido por fômites, transfusão de sangue e transplante.

Período de incubação: 30-50 dias.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão.

Febre maculosa

Causada pela Rickettsia rickettsii (bactéria gram negativa).

Forma de transmissão: o patógeno é transmitido aos seres humanos pela picada de um carrapato infectado do gênero Amblyomma.

Período de incubação: em média 7 dias, variando de 2-14 dias.

Período de transmissão: não é transmitida pessoa a pessoa. Os carrapatos permanecem infectados por toda a vida, em média 18-36 meses. A partir de um carrapato infectado, outros podem se tornar infectados, por meio da transmissão vertical, estádio-estádio ou pela cópula.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão.

Escabiose

Causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. Os seres humanos são fonte de infestação.

Forma de transmissão: a transmissão se dá pelo contato pessoal direto e prolongado.

Período de incubação: para as pessoas sem exposição prévia, o período de incubação varia de 4-6 semanas. As pessoas com contato prévio estão sensibilizadas e desenvolvem sintomas 1-4 dias após a exposição. As reinfestações podem ser mais brandas do que a primeira infecção.

Período de transmissão: durante todo período em que o paciente está infectado.

Afastamento recomendado: até o término do tratamento.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de contato até o término do tratamento.

Haemophilus influenzae

É um cocobacilo pleomórfico Gram negativo. O Haemophilus influenzae tipo B (HiB) e as demais cepas encapsuladas podem causar pneumonia, bacteremia, meningite, epiglotite, artrite séptica, celulite, otite média, pericardite purulenta e infecções menos comuns como endocardite, endoftalmite, osteomielite e peritonite. As cepas não capsuladas frequentemente causam infecções de vias aéreas superiores e menos frequentemente doenças graves. Os principais reservatórios da bactéria são crianças menores de 3 anos.

Forma de transmissão: dá-se de uma pessoa para outra através da inalação de gotículas das vias aéreas ou pelo contato direto com a mesma secreção. Em RN, a transmissão pode-se dar durante o parto por aspiração de líquido amniótico contaminado e por contato com secreção do trato genital contaminada.

Desde a introdução da vacina contra o HiB, a incidência reduziu 99%.

Período de incubação: não se conhece o período de incubação.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Precaução para pacientes internados: pacientes com doenças graves devem receber precaução de gotículas até 24 horas após o início da antibioticoterapia adequada, além de precaução padrão.

Hepatite A

Forma de transmissão: a forma de transmissão mais comum é pessoa a pessoa, por via fecal-oral.

Período de incubação: 15-30 dias, com média de 28 dias.

Período de transmissão: os pacientes infectados pelo vírus são mais contagiosos durante 1-2 semanas antes do início da icterícia e aumento de enzimas hepáticas, quando é mais alta a concentração do vírus nas fezes. O risco diminui após e é mínimo durante o período de icterícia.

Afastamento recomendado: 1 semana após o início dos sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de contato em pacientes que usam fralda ou são incontinentes, por até 1 semana após o início dos sintomas.

Herpes simples (HSV)

Existem 2 tipos diferentes: HSV-1 e HSV-2. O tipo 1 está mais relacionado com lesões de pele na face e regiões acima da cintura, enquanto o tipo 2 está mais relacionado com lesões genitais e infecções neonatais, no entanto qualquer um dos tipos de vírus pode causar infecção em qualquer região.

Como os outros vírus herpes, o vírus estabelece uma latência logo após a infecção primária, com reativação periódica que causa enfermidade sintomática recidivante ou propagação viral assintomática.

Forma de transmissão: pode-se dar a partir de pessoas sintomáticas ou assintomáticas, com infecções primárias ou recidivantes.

O herpes neonatal geralmente é transmitido durante o parto através do trato genital materno infectado, mas também pode ser transmitido por via ascendente através da ruptura da membrana amniótica.

A transmissão do HSV-1 resulta do contato direto com vírus propagado de lesões orais visíveis ou microscópicas, ou com secreções orais infectadas. Já as infecções por HSV-2, exceto o herpes neonatal, resultam do contato direto com o vírus propagado de lesões genitais visíveis ou microscópicas ou com secreções genitais infectadas, durante a atividade sexual.

Período de incubação: o período de incubação do HSV, exceto a transmissão neonatal, é de 2 dias a 2 semanas.

Período de transmissão: os pacientes com gengivoestomatite herpética primária ou herpes genital podem propagar o vírus por pelo menos 1 semana e ocasionalmente por várias semanas.

Afastamento recomendado: crianças com infecções primárias (gengivoestomatite) devem ficar afastadas enquanto persistirem os sintomas. Pacientes com lesões orais recidivantes (“boqueira”) não precisam ficar afastadas.

Precaução para pacientes internados: recomendada precaução de contato, além da precaução padrão, para RN infectado com lesão mucocutânea, para crianças com infecção mucocutânea grave e para pacientes com infecção de sistema nervoso central.

Herpes vírus tipo 6 (HHV-6)

As infecções primárias pelo HHV-6 incluem o exantema súbito (roséola) em aproximadamente 20% dos infectados, febre sem sinais de localização, linfadenopatia cervical e occipital, sintomas gastrointestinais e de vias aéreas. Também estão relacionadas com convulsão febril.

Os seres humanos são os únicos hospedeiros naturais conhecidos. Quase toda criança contrai infecção pelo HHV-6 até o 3º ano de vida, na maioria das vezes com infecções assintomáticas.

Forma de transmissão: a transmissão se dá pelo contato com secreção infectada de vias aéreas.

Período de incubação: 9-10 dias.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão.

Influenza (Gripe)

Existem 3 tipos de vírus da gripe: A, B e C. Os tipos A e B são os que mais causam gripe e estão incluídos na vacina.

Forma de transmissão: a transmissão se dá pessoa a pessoa, principalmente por gotículas provenientes das vias respiratórias após tosse e espirro. O contato com superfícies contaminadas com o vírus também é uma forma de transmissão.

Período de incubação: 1-4 dias, com média de 2 dias.

Período de transmissão: os pacientes já começam a transmitir o vírus 24 horas antes do início dos sintomas. A propagação viral é máxima nos primeiros 3 dias dos sintomas e dura até 7 dias. Pode ser mais prolongada em crianças pequenas e pacientes imunodeficientes. A propagação viral está diretamente relacionada com o grau de febre.

Afastamento recomendado: pacientes com gripe devem ser afastados por 7 dias.

Precaução para pacientes internados: precaução de gotículas, além da precaução padrão enquanto persistirem os sintomas.

Leptospirose

Causada por uma espiroqueta da família Leptospira. Os reservatórios das espécies de Leptospira incluem uma gama de animais selvagens e domésticos que podem propagar os organismos de maneira assintomática durante anos.

Forma de transmissão: a Leptospira é excretada na urina, líquido amniótico e tecido placentário. Os seres humanos geralmente se infectam pela penetração da espiroqueta em mucosas, machucados na pele, após contato com água, terra e tecidos animais infectados.

Período de incubação: 5-14 dias, podendo variar de 2-30 dias.

Período de transmissão: a espiroqueta pode manter-se viável por semanas a meses em urina, líquido amniótico e tecido placentário, principalmente se estiverem em solo úmido ou água e em clima quente.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas. Não há contágio pessoa-pessoa. Repouso conforme sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão.

Malária

Causada por parasitas intraeritrocíticos do gênero Plasmodium.

Forma de transmissão: a transmissão se dá através da picada do mosquito do gênero Anopheles infectado, que se alimenta durante a noite. Também ocorre por meio de transfusão de sangue, uso compartilhado de agulhas e/ou seringas contaminadas, transmissão vertical (congênita), e  através de acidentes de trabalho em pessoal de laboratório ou hospital.

Período de incubação: na maioria dos casos varia de 7 a 30 dias. Os períodos mais curtos são mais frequentemente observados com P. falciparum e os mais longos com P. malariae.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas. Repouso conforme sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão.

Infecções meningocócicas

Causadas pela Neisseria meningitidis, um diplococo Gram negativo, com pelo menos 13 sorotipos.

Forma de transmissão: dá-se de uma pessoa a outra através de gotículas de vias aéreas e requer um contato direto. A colonização assintomática das vias aéreas superiores é a via para a propagação da infecção.

Período de incubação: 1-10 dias, geralmente menos de 4 dias.

Afastamento recomendado: 24 horas após início da antibioticoterapia específica. O paciente deve ficar internado até melhora clínica.

Precaução para pacientes internados: precaução de gotículas, além do padrão, 24 horas após início de antibiótico apropriado. Fazer profilaxia para os contatos próximos.

Micoses superficiais

Enquadram-se aqui a tinea capitistinea corporistinea cruris e tinea pedis.

Forma de transmissão: a transmissão se da de pessoa a pessoa, por contato direto, através de contato com animais, terra e fômites. O microrganismo continua sendo viável em pentes, escovas e outros fômites por longo período. Existem portadores assintomáticos que podem transmitir a doença.

Período de incubação: 1-3 semanas.

Período de transmissão: a transmissão se dá mesmo através do portador assintomático e é mais intensa durante lesão ativa.

Afastamento recomendado: crianças que recebem tratamento para tínea podem retornar para a escola após o início do tratamento adequado. Os pacientes devem ficar afastados de atividades que envolvam contato por 14 dias após o início do tratamento no caso da tinea capitis e 72 horas para tinea corporis. Pacientes com tinea pedis não devem frequentar piscina enquanto apresentarem lesões ativas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão.

Molusco contagioso

Forma de transmissão: é transmitido por gotículas de vias aéreas durante contato direto com uma pessoa sintomática.

Período de incubação: 2-7 dias, podendo chegar até 6 meses.

Afastamento recomendado: não precisa de afastamento.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão.

 

Mycoplasma pneumoniae

Forma de transmissão: por gotículas de vias aéreas durante contato direto com uma pessoa sintomática.

Período de incubação: 2-3 semanas, podendo varia de 1-4 semanas.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de gotículas durante persistência dos sintomas.

Parotidite infecciosa (Caxumba)

Causada por vírus da família Paramyxoviridae.

Forma de transmissão: o vírus se propaga por contato com as secreções de vias aéreas e saliva infectadas.

Período de incubação: 16-18 dias, podendo variar de 12-25 dias após a exposição.

Período de transmissão: o vírus tem sido isolado de 7 dias antes até 8 dias após o início dos sintomas.

Afastamento recomendado: 5-9 dias após o início do edema da parótida. O afastamento pode ser mais curto, caso a tumefação desapareça antes.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de gotículas.

Parvovírus B19 (Eritema Infeccioso)

Forma de transmissão: contato com secreções de vias aéreas, exposição percutânea a sangue ou hemoderivados e transmissão vertical.

Período de incubação: 4-14 dias, podendo durar até 21 dias até aparecerem os sintomas iniciais. A erupção cutânea geralmente aparece após 2-3 semanas da infecção.

Afastamento recomendado: as crianças podem frequentar a escola, uma vez que não ocorre transmissão durante a fase de erupção cutânea.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de gotículas por 7 dias.

Pediculose

Causada pelo Pediculus humanus capitis, que é um piolho. Tanto as ninfas quanto os piolhos adultos se alimentam de sangue humano.

Forma de transmissão: os piolhos só podem rastejar, então a transmissão se dá por contato direto/próximo com pessoas infectadas. A transmissão por contato com pertences pessoais, como pentes, escovas e gorros são pouco frequentes.

Período de incubação: 8-9 dias, podendo variar de 7-12 dias. A ninfa passa para a fase adulta (piolho) 9-12 dias após.

Período de transmissão: fora do couro cabeludo, o piolho sobrevive menos de 2 dias em temperatura ambiente.

Afastamento recomendado: até o término do tratamento.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de contato até o tratamento adequado.

Rinovírus

Forma de transmissão: contato de pessoa a pessoa, com autoinoculação por secreções contaminadas nas mãos e ou propagação por aerossol.

Período de incubação: 2-3 dias, podendo chegar até a 7 dias.

Período de transmissão: mais intenso nos primeiros 2-3 dias de infecção e geralmente para entre 7-10 dias. No entanto, pode durar até 3 semanas.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Rubéola

Forma de transmissão: a rubéola pós-natal é transmitida principalmente por contato direto com gotículas de secreção nasofaríngea. Pode-se dar também por transmissão vertical (rubéola congênita).

Período de incubação: rubéola pós-natal: 14-21 dias, geralmente de 16-18 dias.

Período de transmissão: a transmissão ocorre, em média, de 3 dias antes até 7 dias após a erupção cutânea, porém pode se dar 7 dias antes até 14 dias depois do aparecimento do exantema.

Uma pequena quantidade de bebês com rubéola congênita pode continuar propagando o vírus nas secreções nasofaríngeas e urina por até 1 ano, podendo transmitir a infecção para contatos suscetíveis.

Afastamento recomendado: 7 dias após o início dos sintomas (exantema).

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de gotículas durante 7 dias após o inícios das erupções cutâneas.

Recomenda-se o isolamento de contato para lactentes com rubéola congênita comprovada ou suspeita por pelo menos 1 ano, exceto se 2 culturas de amostra clínica, com intervalo de 1 mês, colhidas após os 3 meses de vida, tenham resultado negativo.

Em surtos de doença, crianças não imunizadas devem receber a vacina ou devem ser excluídas do convívio de possíveis contatos por 21 dias após o início do exantema no último caso.

Salmonela

A Salmonella é uma bactéria Gram negativa e são descritos mais de 2.500 sorotipos. Os reservatórios principais são aves, mamíferos, répteis e anfíbios.

Forma de transmissão: os principais veículos alimentares de transmissão são produtos de origem animal, como carne de aves, ovos e laticínios. Pode-se dar também por consumo de água contaminada e por contato com animais infectados.

Período de incubação: 12-36 horas, variando de 6-72 horas. Para a febre tifóide o período de incubação é de 7-14 dias, variando de 3-60 dias.

Período de transmissão: o risco de transmissão a terceiros persiste enquanto a pessoa infectada excreta a Salmonella. Doze semanas depois da infecção, aproximadamente 45% das crianças menores de 5 anos excretam o microorganismo em comparação com 5% em crianças maiores e adultos. A terapia antimicrobiana pode aumentar o período de excreção.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Na febre tifóide o paciente é liberado para contato após 3 culturas negativas de fezes, pelo menos 48 horas após o início do antibiótico.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de contato, enquanto persistirem os sintomas.

Sarampo 

Os únicos hospedeiros naturais do vírus do sarampo são os seres humanos.

Forma de transmissão: a transmissão se dá por contato direto com gotículas infectadas e menos frequentemente por propagação aérea. Entre as doenças infecciosas, é uma das que apresenta maior capacidade de contágio.

Período de incubação: 8-12 dias, podendo variar de 7-21 dias.

Período de transmissão: a transmissão pode ocorrer de 5 dias antes até 5 dias após o início dos sintomas.

Afastamento recomendado: por 5 dias após o início do exantema.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de gotículas enquanto persistirem os sintomas.

Shigella

Shigella é um bacilo Gram negativo. Os seres humanos são os hospedeiros naturais e outros primatas também podem ser infectados.

Forma de transmissão: a principal forma de transmissão é fecal-oral, mas também pode ocorrer por contato com objetos contaminados, ingestão de alimentos ou água contaminados e relação sexual.

Período de incubação: 1-3 dias, podendo variar de 1-7 dias.

Período de transmissão: sem tratamento antimicrobiano, o estado de portador dura 1-4 semanas.

Afastamento recomendado: a criança só pode retornar às atividades escolares após 24 horas do desaparecimento da diarreia.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de contanto enquanto persistirem os sintomas.

Streptococcus do grupo A (GAS)

Já foram identificados mais de 120 sorotipos de Streptococcus do grupo A (S. pyogenes).

Forma de transmissão: a faringite pode ser resultado do contato direto com uma pessoa que tem GAS, através de secreção de vias aéreas.

Período de incubação:

  • 2-5 dias para a faringite.
  • 7-10 dias para impetigo.

Período de transmissão: o paciente pode transmitir mesmo quando assintomático (colonizado) e a transmissão é maior durante a infecção aguda.

Afastamento recomendado: afastamento de 24 horas após início de antibioticoterapia adequada.

Sífilis

Infecção causada pela espiroqueta Treponema pallidum.

Forma de transmissão: a transmissão pode ser vertical (congênita) por via placentária em qualquer momento da gestação e, possivelmente, no momento do parto pelo contato com lesões maternas.

A forma mais comum de transmissão se dá por contato direto com as lesões ulceradas em relações sexuais.

Período de incubação: as infecções são divididas em 3 estágios. No estágio 1 (ulceras endurecidas – cancro), as lesões aparecem, em média, 3 semanas após a exposição, podendo variar de 10-90 dias. O estágio secundário inicia-se 1-2 meses mais tarde (erupções, lesões mucocutâneas e linfadenopatias). Após essa fase, inicia-se um período de latência. O estágio terciário ocorre 15-30 anos após a infecção inicial. Essa evolução ocorre em casos não tratados.

Período de transmissão: a transmissão ocorre enquanto existirem lesões ativas de estágio 1 e 2.

Afastamento recomendado: as pessoas devem ser afastadas enquanto persistirem os sintomas. Após 24 horas de antibioticoterapia adequada, não é mais transmissível.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão. Os paciente com lesões mucocutâneas devem receber isolamento de contato até 24 horas após a instituição de antibioticoterapia adequada.

Toxoplasmose

Causada pelo Toxoplasma gondii, protozoário e parasita intracelular obrigatório. Ele tem distribuição global e infecta a maioria dos animais de sangue quente. Os felinos são hospedeiros definitivos.

Forma de transmissão: geralmente os gatos são infectados ao se alimentarem de animais infectados (ex.: ratos), carnes cruas em casa, água ou alimento contaminados com oocistos. Os gatos podem excretar milhares de oocistos em suas fezes após 3-30 dias da infecção primária, e podem propagar oocistos por 7-14 dias. Os oocistos podem ficar viáveis por meses em condições ambientais normais e principalmente em terra úmida. Os hospedeiros intermediários (ovelhas, porco e gado bovino) podem ter cistos no cérebro, miocárdio, músculo esquelético e outros órgãos. Esses cistos são viáveis durante toda a vida do hospedeiro. Os seres humanos geralmente são infectados pelo consumo de carne crua ou insuficientemente cozida que contenham cistos, ou pela ingestão acidental de oocistos presentes na terra ou em alimentos ou água contaminados.

Também existem relatos de transmissão por transplante de órgãos sólidos e transplante de células tronco. A transmissão vertical ocorre quando a mãe tem infecção primária durante a gestação.

Período de incubação: 7 dias, podendo variar de 4-21 dias.

Afastamento recomendado: os pacientes não precisam de afastamento.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão.

Tuberculose

Forma de transmissão: a transmissão se dá pelo ar, com a inalação de núcleos de gotículas produzidas habitualmente por adultos e adolescentes com doença pulmonar ou laríngea.

Período de incubação: da infecção até o desenvolvimento de um resultado de exame positivo (teste cutâneo tuberculínico ou prova de liberação de inferferon gama), varia de 2-10 semanas.

O risco de desenvolver tuberculose é mais elevado durante os 6 meses após a infecção e se mantém alto por até 2 anos. No entanto, pode-se passar vários anos da infecção até o desenvolvimento da doença.

Período de transmissão: os pacientes bacilíferos transmitem a doença enquanto não forem tratados adequadamente.

Afastamento recomendado: crianças com menos de 10 anos raramente são contagiosas, não sendo necessário afastamento. As exceções são crianças com cavidades pulmonares, com pesquisa de escarro positiva, com tuberculose laríngea e com infecção pulmonar disseminada.

Adultos: são considerados de baixo risco para infecção quando estiverem recebendo tratamento adequado e apresentarem 3 amostras de escarro negativas, com intervalo mínimo de 8 horas entre elas, além de  apresentar melhora clínica, com resolução da tosse.

Precaução para pacientes internados: paciente internados e que precisam de isolamento devem ficar em leitos com controle de infecção de doenças transmitidas pelo ar (uso de filtro de partículas – salas de fluxo de ar negativo) e usar máscara individual tipo N95 ou N100.

Varicela

Causado pelo vírus Varicela Zoster (VZV), da família dos herpes, também conhecido com herpes vírus 3. Os seres humanos são a única fonte de infecção.

Forma de transmissão: a infecção se dá quando o vírus entra em contato com as mucosas das vias aéreas e conjuntiva. A transmissão de uma pessoa a outra ocorre através do ar, por contato direto com pacientes com lesões vesiculares e por secreção de vias aéreas infectadas. Não há evidência de transmissão através de fômites, já que o vírus é extremamente lábil e incapaz de sobreviver por períodos prolongados no ambiente.

A infecção congênita ocorre pela passagem transplacentária do vírus durante uma infecção da mãe.

Período de incubação: 14-16 dias, podendo variar de 10-21 dias.

Em RNs a varicela pode se desenvolver 2-16 dias após o nascimento quando a mãe tem varicela ativa no momento do parto.

Período de transmissão: os pacientes são contagiosos 1-2 dias antes do inícios das erupções cutâneas até 2 dias após todas as lesões terem formado crosta.

Afastamento recomendado: até todas as lesões estarem em forma de crosta (geralmente 5 dias após o início do exantema, podendo durar mais de 1 semana em imunossuprimidos); RNs de mães que apresentam varicela no momento do parto devem receber precaução de contato e de transmissão por ar até 21 dias de vida (precaução de contato e de gotículas).

Precaução para pacientes internados: precaução padrão, de contato e de transmissão pelo ar, no mínimo 5 dias após o inícios das lesões e até que todas as lesões tenham evoluído para crosta.

Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

Forma de transmissão: contato direto ou com secreção contaminada. Pode permanecer em superfícies por várias horas e nas mãos por 30 minutos.

Período de incubação: 2-8 dias, mais comum entre 4-6 dias.

Período de transmissão: 3-8 dias, mas pode durar até 3-4 semanas em lactentes jovens e imunossuprimidos.

Afastamento recomendado: enquanto persistirem os sintomas.

Precaução para pacientes internados: precaução padrão e de contato enquanto persistirem os sintomas. Os pacientes devem ser alocados em quartos individuais ou colocados em uma coorte.

 

Rerefências:

1 – Red Book – Report of the Committee on Infectious Diseases

2 – CDC

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Dr. Antonio Girotto

Médico pediatra especializado em medicina intensiva pediátrica, com graduação pela Universidade do Sul Santa Catarina e especialização pela Unicamp.

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