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Bebê Conforto, Cadeirinha e Assento de Elevação (Booster) – Resumo das recomendações

Quais são as regras de trânsito para transportar crianças? Quais os dispositivos disponíveis e qual a maneira correta de utilizá-los?

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A melhor forma de diminuir a mortalidade no trânsito é a prevenção. A utilização e a instalação adequada dos equipamentos de segurança nos automóveis podem evitar até 70% das fatalidades nos acidentes. Além disto, a não utilização acarretará em infração gravíssima, gerando multa prevista no Código de Trânsito Brasileiro. Para se ter uma ideia de sua importância, em países como os EUA, no dia da alta hospitalar dos recém nascidos, os pais devem obrigatoriamente levar o bebê conforto, do contrário não receberão alta.

Reveja, de forma resumida, os tipos e orientações sobre cada equipamento de segurança veicular para crianças.

 

EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA VEICULAR PARA CRIANÇAS

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro :

Transportar crianças em veículo automotor sem a devida segurança estabelecida configura-se como infração gravíssima, cuja penalidade é multa no valor de R$ R$ 293,47, e a Medida Administrativa é a retenção do veículo até que a irregularidade seja sanada

 

A legislação brasileira obriga as crianças de até 10 anos de idade a serem transportadas no banco traseiro do veículo automotivo, usando cinto de segurança. E, até os sete anos e meio, elas precisam utilizar um dispositivo adequado de retenção veicular. As opções, nesse caso, são o bebê conforto, a cadeirinha ou o assento de elevação.

O Pediatra tem a obrigação, além de orientar os pais sobre o correto equipamento de segurança, de alertar sobre a importância da leitura dos manuais dos equipamentos, pois grande parte das cadeirinhas e assentos de segurança é fixada de forma incorreta, comprometendo a eficiência do dispositivo.

Veja os modelos recomendados para veículos de acordo com a faixa etária, segundo o Código de Trânsito Brasileiro:

 

O SISTEMA ISOFIX

Isofix é o sistema internacional de fixação de cadeiras para crianças, que prende os assentos diretamente ao chassi do carro.

Ele permite fixar assentos de crianças – tanto voltados para a frente quanto para trás – e bases de assento de carro por meio de um par de engrenagens de metal conectadas diretamente ao chassi, servindo como uma alternativa aos cintos de segurança. Geralmente, estão disponíveis apenas nos bancos traseiros, mas também podem ser encontrados, em alguns modelos, no banco do passageiro da frente (isso porque alguns países têm regulamentação diferente da brasileira e permitem este tipo de transporte para crianças).

Para prender o assento infantil ao sistema Isofix, basta pressionar os clipes da cadeira nas peças montadas no carro. A maioria possui um indicador no assento que passa de vermelho para verde quando o assento está bem instalado. O isofix é mais fácil de ser utilizado e parte da frota nacional de automóveis, a partir de 2018, será comercializada com este sistema de fixação de cadeirinhas. Em 2020, todos os modelos deverão sair de fábrica com esse padrão.

SIstema Isofix

 

Na hora de transportar uma criança, leve em consideração, além da idade, do peso e da altura, as características particulares de cada uma, pois cada criança tem um ritmo de crescimento diferente. Desnutridos, crianças com doenças crônicas e algumas síndromes podem não corresponder ao peso e altura consideradas normais para aquela faixa etária.

Cadeirinha para transporte de crianças |

Cadeirinha
O Booster, ou Acento de Elevação |

Booster
O tradicional Bebê Conforto |

Bebê conforto

     

    GRUPOS DE DISPOSITIVOS, DE ACORDO COM O INMETRO

    O INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), ao certificar os produtos disponíveis para transporte veicular de crianças, dividiu-os em grupos, de acordo com o peso, altura e idade do pequeno passageiro [INMETRO]:

    • Grupo 0: crianças de até 10 kg, 0,72 m de altura, 9 meses
    • Grupo 0+: até 13kg, 0,80 m de altura, 12 meses
    • Grupo 1: de 9 kg a 18 kg, 1m de altura, 32 meses
    • Grupo 2: de 15 kg a 25 kg, 1,15 m de altura, 60 meses
    • Grupo 3: de 22kg a 36 kg, 1,30 m de altura, 90 meses

    Essa é uma classificação mundial, porém deve-se usar o bom senso. A indicação do peso máximo não significa que, ao usar um equipamento com uma criança pesando um pouco mais do que indicado pelo fabricante, a criança terá menos segurança. Se a criança ainda couber no dispositivo, estiver confortável, com o cinto bem preso, pode-se ainda utilizá-lo. Além disso, existem produtos que abrangem mais de um grupo – por exemplo, cadeirinhas certificadas que comportam de 0 kg a 25 kg. Assim, o ideal é levar a criança ao dispositivo e testar antes de comprar, para avaliar qual tem melhor adequação.

     

    TRANSPORTE DE CRIANÇAS – EXCEÇÕES

    1. Caso a quantidade de crianças menores de 10 anos exceda a capacidade do banco traseiro, aquela que tiver maior estatura poderá ser transportada no banco dianteiro, com o devido dispositivo de segurança;
    2. Em veículos que disponham somente de banco dianteiro, o transporte de crianças menores de 10 anos poderá ser realizado, também com o uso do dispositivo de segurança correspondente. Atentar-se para o desligamento do sistema de airbag.

     

    Dano aos Dispositivos 

    Em caso de qualquer acidente envolvendo o veículo contendo um dispositivo de transporte infantil, o equipamento deve ser substituído. Os danos estruturais nos dispositivos, às vezes imperceptíveis, podem ocorrer mesmo em acidentes menores, tornando-os menos eficientes. Há uma recomendação de se evitar, por este motivo, comprar um dispositivo usado.

     

    CRIANÇAS PODEM ANDAR EM MOTOCICLETAS?

    Apenas crianças com mais de sete anos de idade e que tenham condições de cuidar da própria segurança podem ser transportada na garupa de motocicletas (por exemplo, não são consideradas aptas crianças que não alcançam o apoio dos pés [estribos], que tenham alguma deficiência ou estejam com braço ou perna engessados, entre outras situações). Além disso, as crianças devem utilizar capacete adequado ao seu tamanho e estar com vestuário e calçado que ofereçam proteção em caso de quedas, conforme prevê o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito [Detran].

     

    LEMBRE-SE

    Utilizar o tipo de dispositivo adequado para cada idade e seguir as instruções corretas de instalação é fundamental para a eficácia do equipamento. É provado que os dispositivos de segurança podem salvar vidas e também minimizam as consequências de um acidente na criança. Relembre sempre os pais nas consultas de puericultura sobre a sua importância.

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    Dr. Breno Nery

    Médico pediatra especializado em medicina intensiva pediátrica, com graduação pela Universidade Federal de Pernambuco e especialização pela Unicamp.

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