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Entorse de Tornozelo: Quando Realizar Raio X?

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Nem sempre é necessário realizar o exame de raios-x em casos de entorse de tornozelo. Aprenda como avaliar o paciente.

 

A Torção (ou Entorse) de Tornozelo é uma queixa muito comum no Pronto Atendimento Pediátrico. O mecanismo mais freqüente de trauma é a inversão do tornozelo durante a atividade física [1]. Existem, entretanto, diferentes graus de lesão das estruturas dessa região, que variam de um simples estiramento até fraturas que necessitam de abordagem cirúrgica ortopédica.

O objetivo deste post é divulgar que não é necessário realizar exame radiológico em todos os pacientes. Existem sinais clínicos que nos permitem, com bastante segurança, evitar submeter nossos clientes à radiação desnecessariamente.

É claro que também existem sinais clínicos óbvios de que o exame radiológico complementar é mister, tais como:

  • alteração da perfusão do membro
  • deformidade evidente
  • sinais de exposição óssea, entre outros.

Entretanto, as recomendações são as seguintes:

Caso esteja avaliando uma criança (maior de 3 anos, que saiba referir a dor) com entorse de tornozelo com menos de 72 horas de evolução, sem condições clínicas predisponentes a lesões ósseas (como osteogênese imperfeita ou tumores ósseos) e que não tenha sinais claros de deformidade ou alteração de perfusão sanguínea, aplique a regra do LRAR (Low Risk Ankle Rule) para decidir se a radiografia é ou não necessária [2].

Isso porque está demonstrado que, caso a LRAR se aplique ao caso, é altamente provável que a criança não esteja sob nenhum risco de lesão grave e, caso haja alguma fratura, ela não necessitará de qualquer intervenção. Sendo assim, podemos evitar radiação desnecessária ao nosso paciente, assim como não aumentar os custos do atendimento.

 

O QUE É A LRAR?

  1. lesão aguda (<3 dias de evolução)
  2. sem risco de fraturas patológicas
  3. não há anomalias congênitas de pés e tornozelos
  4. criança sabe referir dor
  5. exame físico mostra edema somente na fíbula distal ou ligamentos adjacentes
  6. sem deformidades ou sinais de comprometimento vascular.
low_risk_ankle_rule
Adaptado de Uptodate.com

O grupo de lesões de baixo risco inclui fraturas de fíbula do tipo Salter Harris tipo 1 e 2, que não necessitam de nenhum tipo de abordagem além da imobilização e controle da dor.

Todos os pacientes não radiografados, mas que tenham alteração da propedêutica ou dor intensa, devem receber imobilização com tala ou outro dispositivo removível por cerca de 4 semanas ou enquanto durar a dor. O retorno às atividades também está ligado exclusivamente à sintomatologia do paciente. Deve-se reavaliar o paciente clinicamente em 7 a 10 dias.

 

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Dr. Sidney Volk

Médico pediatra especializado em medicina intensiva pediátrica, com graduação e especialização pela Unicamp. Membro do corpo editorial do PortalPed.

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