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Balanopostite — Como Definir?

Que pediatra nunca diagnosticou balanopostite? Apesar da alta frequência, as definições ainda geram dúvidas. Veja abaixo as respostas para suas dúvidas.

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ANATOMIA DA BALANOPOSTITE

Ao nascimento, o prepúcio é aderido à glande e sua função é de proteção física e imunológica. Esta aderência causa uma fimose fisiológica na qual o prepúcio não pode ser retraído. Com a estimulação hormonal e limpeza durante o banho há uma separação gradual no decorrer da infância. Cinquenta porcento dos meninos apresentam o prepúcio totalmente retrátil aos 10 anos [1].

 

DEFINIÇÃO

  • BALANITE – inflamação isolada da glande;
  • POSTITE – inflamação isolada do prepúcio;
  • BALANOPOSTITE – inflamação da glande e prepúcio. Ocorre em pacientes não circuncidados e muito raramente em circuncidados com prepúcio remanescente.

Assim, a balanopostite é uma inflamação, às vezes secundária a uma infecção, que ocorre mais frequentemente entre 2-5 anos [2,3]. É facilmente tratável e raramente pode ocasionar obstrução ao fluxo de urina, necessitando sondagem vesical e avaliação da cirurgia.

 

BALANOPOSTITE: FISIOPATOLOGIA

O espaço entre glande e prepúcio é um ambiente úmido que contém secreção fisiológica e geralmente serve de proteção para evitar infecções. A produção excessiva de esmegma, limpeza exagerada e trauma podem ocasionar inflamação. Estes mesmos fatores podem predispor a proliferação de microrganismos e ocasionar infecção local.

Classificamos de acordo com a etiologia em:

  • IRRITATIVA – causa mais comum abaixo dos 6 anos, ocasionada por falta de higiene ou contato com substância irritativa, que pode ser até mesmo sabão. Em adolescentes uma causa comum são os espermicidas e lubrificantes utilizados durante o ato sexual, mas nesta faixa etária não devemos desconsiderar as doenças sexualmente transmissíveis [4,5];
  • TRAUMÁTICA – excessiva tração e ou fricção causada durante limpeza, masturbação, relação sexual, entre outros [6,7];
  • INFECCIOSA – pode ser de origem viral (Papilomavírus e Herpes), bacteriana [E. coli, Enterococos, S. pyogenes (Β hemolítico grupo A), S. agalactiae (Β hemolítico grupo B), S. auresus, N.gonorrhoeae, C. trachomatis, T. pallidum. G. vaginalis entre outras], fúngica (C. albicans) e por protozoários (T. vaginalis e E. histolytica) [1,8,9,10,11,12,13]. Dependendo da etiologia encontrada e idade da criança, devemos lembrar de investigar abuso sexual. Em um paciente que apresenta balanopostite refratária ao tratamento habitual, devemos examinar cuidadosamente o períneo, em busca de monilíase, pois a Candida albicans pode ser o agente etiológico de ambas entidades. Também podemos encontrar esta etiologia  nos pacientes com vida sexual ativa (lembrar que a flora vaginal contém Candida).  Entre as causa bacterianas, destacam-se: nos menores de 2 anos a E. coli; entre 3-6 anos enterococcos; e entre 7-12 anos S. pyogenes e S. aureus;
  • ALÉRGICA/IMUNOLÓGICA – secundária a medicamentos e Síndrome de Stevens- Johnson, muito raras [14]

 

 

CONCLUSÕES

  • As causas mais prevalentes da balanopostite são as irritativas e traumáticas;
  • Lembrar do abuso como etiologia, tanto pelo trauma que ocasiona como pela presença de microrganismos específicos;
  • Pode ser necessário realizar exames complementares para fazer o diagnóstico de microrganismos específicos.

 

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Dr. Breno Nery

Médico pediatra especializado em medicina intensiva pediátrica, com graduação pela Universidade Federal de Pernambuco e especialização pela Unicamp.

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