Puericultura

Quando solicitar exame de rotina em pediatria? Recomendações da Academia Americana de Pediatria

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Recomendações da AAP para exames, de recém-nascidos a adolescentes. Baixe a tabela traduzida pelo PortalPed!

 

O doutor vai pedir exames para meu filho este ano? Provavelmente a grande maioria dos pediatras que trabalham em unidades ambulatoriais já ouviu essa frase inúmeras vezes. Há, frequentemente, uma certa ansiedade dos pais em relação aos famosos “exames de rotina” — eles parecem ter um certo efeito “ tranquilizador “ para as famílias. Entretanto, nem sempre são justificados, podendo gerar gastos desnecessários…

 

Saber cuidar da saúde e acompanhar o desenvolvimento da criança, assim como prevenir doenças de forma adequada, são os principais desafios do dia a dia do Pediatra, e isso exige um amplo conhecimento. A solicitação correta de exames de prevenção e o rastreamento de doenças são tarefas nada fáceis, e geram dúvidas até para os melhores profissionais.

Em 2017, a Academia Americana de Pediatria (AAP), para auxiliar no atendimento de Puericultura, publicou recomendações sobre screening de patologias, exames complementares e outras alterações que devem ser investigadas desde o nascimento até a adolescência. Você tem dúvidas sobre a necessidade de pedir exames ou sobre quando é adequado solicitá-los? Sabe em que momento deve rastrear algumas doenças (como anemia, autismo, déficit visual e auditivo)? Então continue lendo e descubra o que sugere a AAP.

 

artigo - recomendacoes da aapO ESTUDO

  • Recommendations for Preventive Pediatric Health Care
  • Bright Futures/American Academy of Pediatrics
  • Publicado em abril 2017
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RECOMENDAÇÕES DA AAP

Cada criança e cada família são únicas. E devem continuar sendo tratadas de maneira individualizada. Essas recomendações de prevenção em saúde são elaboradas para crianças recebendo cuidados adequados de pais competentes, sem manifestações de quaisquer problemas de saúde importantes, que estão crescendo e se desenvolvendo de forma satisfatória.

Distúrbios de desenvolvimento ou da esfera psicossocial, presença de doenças crônicas e pacientes apresentando alterações de padrão da normalidade podem requerer aconselhamentos frequentes, consultas e tratamentos extras, além da rotina e prevenção.

A AAP enfatiza a importância da regularidade e frequência das consultas de rotina, evitando assim falhas na prevenção.

Outra indicação: consultar o guia de orientações específicas por idade, Bright Futures Guidelines (Hagan JF, Shaw JS,  Duncan PM, eds. Bright Futures: Guidelines for Health Supervision of Infants, Children, and Adolescents.  4th ed. Elk Grove Village, IL: American Academy of Pediatrics; 2017).

O objetivo deste artigo é somente fornecer uma tabela com idade ou intervalo de tempo recomendado para realização   de triagens desde o período neonatal até a adolescência segundo a Academia Americana de Pediatria, facilitando a rotina do Pediatra no consultório. Essas sugestões de triagem são baseadas em Consensos e Guidelines que podem ser acessados via links, anexos à tabela,  para maiores explicações.

tabela-Recomendacoes-Exames-da-AAP-Pediatria-v3
Clique para ampliar e baixar versão pronta para imprimir.
Legendas:● = a ser realizada
★ = avaliar o risco e adequar a conduta
←●→ = intervalo de tempo no qual a conduta tem que ser realizada

 

Na tabela acima, você encontrará números marcados em azul;
eles são referências para as seguintes informações:

  1. Se uma criança vem pela primeira vez para consulta de rotina, em qualquer ponto do calendário proposto, ou se algum item não for realizado na idade sugerida, o cronograma dos itens faltando deve ser atualizado o mais rápido possível.
  2. Recomenda-se uma visita pré-natal para pais de alto risco, pais pela primeira vez ou ainda para os pais desejando aconselhamento. A visita pré-natal deve incluir histórico médico, orientações, discussão sobre os benefícios da amamentação e método de alimentação planejado seguindo o “The Prenatal visit“.
  3. Os recém-nascidos devem ter uma avaliação após o nascimento e a amamentação deve ser encorajada (instrução e suporte devem ser oferecidos).
  4. Os recém-nascidos devem ter uma avaliação de 3 a 5 dias após o nascimento e de 48 a 72 horas após a alta hospitalar, incluindo avaliação da alimentação e icterícia. Os recém-nascidos amamentados exclusivamente ao seio materno devem ser avaliados e as mães devem receber incentivo e instrução, conforme recomendado em “Breastfeeding and the Use of Human Milk”. Os recém-nascidos com alta em menos de 48 horas após o parto devem ser examinados dentro das 48 horas após a alta, de acordo com “Hospital Stay for Healthy Term Newborns”.
  5. Avaliar o ganho de peso, pelo “Expert Committee Recommendations Regarding the Prevention, Assessment, and Treatment of Child and Adolescent Overweight and Obesity: Summary Report”.
  6. Deve-se aferir a pressão arterial em lactentes e crianças com fatores de riscos específicos antes dos 3 anos de idade.
  7. Uma avaliação da acuidade visual é recomendada com 4 e 5 anos e nas crianças de 3 anos que colaboram. O rastreamento também pode ser feito para avaliar o risco com 12 e 24 meses. Veja “Visual System Assessment in Infants, Children, and Young Adults by Pediatricians”.
  8. Confirmar que a avaliação inicial foi concluída, conferir os resultados e acompanhar, conforme apropriado. O rastreamento dos recém-nascidos deve ser realizado pelo “Year 2007 Position Statement: Principles and Guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs”.
  9. Verificar os resultados o mais breve possível e acompanhar, conforme apropriado.
  10. Avaliação com audiometria incluindo altas freqüências de 6.000 e 8.000 Hz entre 11 e 14 anos, 15 e 17 anos e finalmente entre 18 e 21 anos. Veja “The Sensitivity of Adolescent Hearing Screens Significantly Improves by Adding High Frequencies”.
  11. Veja “Identifying Infants and Young Children With Developmental Disorders in the Medical Home: An Algorithm for Developmental Surveillance and Screening”.
  12. Avaliar, conforme “Identification and Evaluation of Children With Autism Spectrum Disorders”.
  13. Esta avaliação deve ser centrada na família e pode incluir uma avaliação da saúde socioemocional da criança e dos cuidadores. Veja “Promoting Optimal Development: Screening for Behavioral and Emotional Problems” e “Poverty and Child Health in the United States”.
  14. Uma ferramenta de avaliação recomendada está disponível aqui.
  15. Para o rastreamento, é recomendado usar o questionário de Saúde do Paciente (PHQ) -2, ou outras ferramentas disponíveis no GLAD-PC toolkit e neste documento.
  16. A avaliação deve ser feita pelo “Incorporating Recognition and Management of Perinatal and Postpartum Depression Into Pediatric Practice”.
  17. A cada consulta, é essencial realizar um exame físico apropriado para a idade. Os pacientes devem ser avaliados totalmente despidos (lembrar de cobrir as crianças mais velhas). Ver “Use of Chaperones During the Physical Examination of the Pediatric Patient.
  18. Estes podem podem variar de acordo com as necessidades individuais.
  19. Após avaliação inicial, confirmar os resultados e acompanhar, conforme apropriado. Ver as as recomendações de rastreamento para recém-nascidos aqui, conforme determinado pelo Secretary’s Advisory Committee on Heritable Disorders in Newborns and Children, and state newborn screening laws/regulations.
  20. Conferir os resultados o mais breve possível e acompanhar conforme apropriado.
  21. Confirmar que o rastreio inicial foi realizado. Verifique os resultados e acompanhe, conforme apropriado. Ver “Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant ≥35  Weeks’ Gestation: An Update  With Clarifications.
  22. O rastreamento com oximetria de pulso de cardiopatia congênita grave deve ser realizado em recém-nascidos, após 24 horas de vida, antes da alta hospitalar, segundo “Endorsement of Health and Human Services Recommendation for Pulse Oximetry Screening for Critical Congenital Heart Disease”.
  23. Os calendários de vacinas da AAP Committee on Infectious Disease estão disponíveis aqui. Toda consulta deve ser uma oportunidade para atualizar e completar as vacinas de uma criança.
  24. Consultar “Diagnosis and Prevention of Iron Deficiency and Iron-Deficiency Anemia in Infants and Young Children (0–3 Years of Age)”.
  25. Para crianças com risco de exposição ao chumbo, consultar “Low Level Lead Exposure Harms Children: A Renewed Call for Primary Prevention”.
  26. Avaliar risco ou rastrear população de risco.
  27. Os testes de tuberculose recomendados pelo AAP Committee on Infectious Diseases são publicados na edição atual do Red Book da AAP: Report of the Committee on Infectious Diseases. Os testes devem ser realizados para os pacientes com fatores de alto risco.
  28. Ver “Integrated Guidelines for Cardiovascular Health and Risk Reduction in Children and Adolescents”.
  29. Doenças sexualmente transmissíveis (DST) devem ser rastreadas em adolescentes conforme as recomendações da edição atual do Red Book da AAP: Report of the Committee on Infectious Diseases.
  30. O rastreamento para o HIV deve ser realizado em adolescentes, de acordo com as recomendações do USPSTF entre 15 e 18 anos, fazendo todo o esforço para preservar a confidencialidade e privacidade do adolescente. Aqueles com maior risco de infecção pelo HIV, incluindo aqueles que são sexualmente ativos, usuários de drogas injetáveis ​​ou ainda quem investiga outras DST, devem ser testados para HIV e reavaliados anualmente.
  31. Consulte as recomendações do USPSTF. As indicações para exames pélvicos antes dos 21 anos se encontram no Gynecologic Examination for Adolescents in the Pediatric Office Setting.
  32. Assegurar que a criança seja acompanhada por um dentista. Caso contrário, avaliar o risco e encaminhar para o dentista. Recomenda-se escovar os dentes com uma pasta de dente com flúor na dosagem adequada para idade. Veja “Maintaining and Improving the Oral Health of Young Children.
  33. Avaliar o risco. Ver: “Maintaining and Improving the Oral Health of Young Children”.
  34. Veja as recomendações do USPSTF. Quando há presença de dentes, o verniz de fluoreto pode ser aplicado em todas as crianças, a cada 3-6 meses, na atenção básica ou no consultório do dentista. As indicações para o uso de fluoreto encontram-se no “Fluoride Use in Caries Prevention in the Primary Care Setting.
  35. Se a fonte de água usada for deficiente em flúor, considerar a suplementação oral. Veja “Fluoride Use in Caries Prevention in the Primary Care Setting.
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Dr. Olivier Domenge

Formando na FAME JF; Especialização em Pediatria no Centro Médico de Campinas.

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