Finanças para Médicos

Série Finanças para Consultórios: o Custo Médio Ponderado do Capital

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Aprenda sobre a relação entre as atividades do seu consultório e o custo do capital no novo post da série Finanças para Consultórios.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA PARA MÉDICOS
dos primeiros passos ao primeiro milhão

Francinaldo Lobato Gomes *

 

AS ATIVIDADES DO CONSULTÓRIO
E O CUSTO MÉDIO PONDERADO DO CAPITAL

 

A gestão financeira do consultório é importante para alcançar e manter a lucratividade, a competitividade, criar sustentabilidade e garantir o sucesso profissional. No entanto, grande parte dos profissionais da saúde não dá a devida importância e delega a tarefa da gestão financeira do consultório a terceiros, tais como a secretária, o contador e o administrador. Claro que tais profissionais são essenciais para o bom desempenho do consultório, mas o profissional da saúde deve chamar para si esta responsabilidade, uma vez que o consultório lhe pertence.

 

CONCEITOS BÁSICOS DE FINANÇAS:
O QUE TODO MÉDICO DEVE SABER

A falta de conhecimento sobre finanças e gestão é um dos fatores que desestimula o interesse pela gestão financeira do consultório. Embora não seja necessário cursar uma faculdade de economia ou de administração para compreender os aspectos relacionados à gestão financeira, é preciso ter o mínimo de conhecimento sobre os termos utilizados em finanças e administração para poder dialogar com o contador ou com o administrador; para saber o que pedir, quando pedir e como pedir a estes profissionais.

Conhecimento básico sobre finanças, administração e contabilidade auxilia o profissional da saúde a ser bem-sucedido. Hoje, este conhecimento não deve ficar restrito àqueles que tem o empreendedorismo correndo em suas veias. Ao contrário, este conhecimento é essencial mesmo para os que só querem manter seus consultórios funcionando bem.

Saber gerenciar as finanças pessoais, realizar um bom marketing pessoal e de serviços, saber quais são as suas responsabilidades jurídicas e até planejar e gerir corretamente a carreira faz toda a diferença para aqueles que buscam ascensão e sucesso na área da saúde.

especial finanças consultório portalped

Em um mercado cada vez mais acirrado, é importante buscar uma formação que ultrapasse os conhecimentos específicos de cada área. Neste sentido, o conhecimento em finanças e administração abre várias portas. É preciso saber montar um plano de negócios ou de marketing, por exemplo. É preciso saber se o consultório está lucrando e também avaliar se a gestão financeira está sendo eficiente.

Nenhum profissional da saúde deseja ter um consultório pequeno para sempre; todos querem que seus consultórios cresçam com o decorrer dos anos e transformem-se em grandes empresas. Embora não seja possível administrar tudo, o profissional da saúde deve assumir um papel decisório nos negócios, ou seja, é ele quem irá ditar os rumos de seu próprio destino e não o contrário.

Nenhum profissional da saúde deseja ter um consultório pequeno para sempre; todos querem que seus consultórios cresçam (…) e se transformem em grandes empresas

Neste artigo vocês aprenderão sobre as atividades desempenhadas por um consultório e também como estas atividades se relacionam entre si. Também aprenderão a calcular o custo médio ponderado do capital e como este custo pode impactar positiva ou negativamente as demais atividades.

 

AS PRINCIPAIS ATIVIDADES DO CONSULTÓRIO 

Antes de montar um consultório, é preciso definir os objetivos dentro de um cenário local, regional e nacional.

Estes objetivos devem estar alinhados com os interesses do(s) seu(s) proprietário(s) e/ou de seus sócios e, principalmente, de seus clientes. A função de uma boa gestão financeira é utilizar os recursos escassos da forma mais eficiente possível, de modo a tornar possível a satisfação dos sócios/proprietários, dos clientes e da sociedade como um todo.

De forma resumida, as atividades exercidas por um consultório podem ser divididas em três classes. 

 

ATIVIDADES OPERACIONAIS

Consistem nas atividades-fim e representam a razão pela qual o consultório foi criado, refletindo os objetivos de seus criadores.

São atividades operacionais de um consultório: a realização de consultas, de exames e de pequenos procedimentos.

 

ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO

Consistem na montagem da estrutura de capital com a qual será possível viabilizar as atividades operacionais.

A estrutura de capital irá depender das condições econômicas nacionais e das condições econômicas do proprietário e/ou dos sócios. Ela pode ser constituída de capital próprio (proprietário e acionistas), de capital de terceiros (bancos e demais instituições financeiras) ou mesmo de uma mistura de ambos em variadas proporções. É importante calcular o custo médio ponderado do capital (CMPC) de forma a determinar a margem de lucro e o preço a ser cobrado pelos serviços prestados.

Por exemplo, se a estrutura de capital de um consultório é formada por 50% de capital próprio a um custo de 12% ao ano (taxa de remuneração do proprietário e/ou dos sócios) e o restante, de capital de terceiros (empréstimo bancário por exemplo) a um custo de 14% ao ano, o CMPC será de 13% ao ano (14 + 12 / 2).

Este valor, somado à margem de lucro que se estima obter com as atividades operacionais, deve ser acrescido ao preço final dos serviços prestados (consultas, exames e procedimentos).

O médico deve sempre buscar montar a estrutura de capital a um custo mais baixo possível, sem, entretanto, esgotar o capital de giro (destinado ao pagamento de despesas de curto prazo), de forma a aumentar a lucratividade ao mesmo tempo em que barateia os custos dos serviços.

 

ATIVIDADES DE INVESTIMENTO 

Consistem na utilização do capital para a aquisição dos meios (máquinas, funcionários, espaço físico e equipamentos) que serão usados para a execução das atividades operacionais.

Uma vez que os recursos são limitados, entra em jogo a expertise do gestor financeiro na utilização dos recursos obtidos, de forma a fazer sempre mais com menos, obtendo a melhor relação custo/benefício de cada item adquirido.

Vale ressaltar que estas três atividades são interdependentes e funcionam como sistemas em um organismo, de tal forma que o desempenho de uma exerce influência direta (positiva ou negativa) nas demais.

 

A INTERRELAÇÃO ENTRE FINANCIAMENTO E O CUSTO DO CAPITAL

Vejamos alguns exemplos para entender essa influência.

Se houver abundância de financiamento e a estrutura de capital tiver custo baixo (atividades de financiamento), haverá mais dinheiro disponível para comprar equipamentos, para ampliar o espaço físico, para realização de marketing e/ou para contratar e qualificar os funcionários (atividades de investimento). Isto fará com que haja maior número de consultas, exames e procedimentos, bem como maior satisfação e fidelização dos clientes (atividades operacionais), maior lucratividade e, consequentemente mais dinheiro disponível.

Por outro lado, se houver escassez de financiamento ou se o custo de capital for alto, haverá menos dinheiro para a compra de equipamentos, para ampliação do espaço físico, para o marketing e/ou para a contratação e qualificação dos funcionários. Isto levará a uma redução do número de consultas, exames e procedimentos, bem como tenderá a gerar insatisfação e fuga de clientes, menor lucratividade e, consequentemente, menos dinheiro disponível em caixa.

Um consultório que esteja lucrando e gerindo seus recursos de forma eficiente terá mais dinheiro disponível em caixa e poderá financiar grande parte (ou a totalidade) de suas atividades com recursos próprios. Mesmo que necessite recorrer a capital de terceiros, pelo fato de ter recursos próprios, poderá obter taxas mais baixas, pois dará garantias a seus credores. Isto fará com que sua estrutura de capital tenha custo baixo, sua lucratividade aumente, seus serviços sejam mais baratos e, portanto, conquiste maior número de clientes e obtenha maior fatia do mercado.

A figura mostra um esquema das atividades de um consultório e como elas interagem entre si.

gráfico interrelação custo do capital e investimentos - dr. francinaldo gomes

CONCLUINDO…

Para concluir, é importante que o médico passe a ver seu consultório como um organismo vivo, formado por sistemas interdependentes, no qual cada sistema influencia os demais e é influenciado por eles. Neste sentido, o custo médio ponderado do capital tem papel central, pois o custo do dinheiro pode influenciar positivamente ou negativamente as demais atividades de todo o consultório.

 

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Dr. Francinaldo Gomes

Neurocirurgião. Mestre em Neurociências. Autor dos livros "Bolsa Valores para Médicos" (Editora DOC, 2012) e "Finanças no Consultório: como Maximizar os Resultados" (Editora DOC, 2016). Escritor da coluna "Investimentos" da revista DOC e da revista SBN Hoje. Especialista em investimento em ações e mercado de opções (CMA Educacional). MBA em finanças com ênfase em gestão de investimentos (FGV). Membro da Comissão de Apoio, Qualificação e Gestão Empresarial da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

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