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Corticoide Tópico Ocular: Quando Indicar?

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Apesar de eficientes, os corticoides tópicos oculares podem gerar uma série de efeitos colaterais perigoso. Vale a pena indica-los, então, aos pacientes? E em quais casos? Discutimos o assunto neste post.

 

Os corticoides representam indubitavelmente uma das classe de medicações mais cobiçadas, mas também mais temidas, do rol terapêutico pediátrico. Constituem os melhores anti-inflamatórios prescritos para a infância, mas seus potenciais efeitos colaterais e a prescrição indiscriminada dessas medicações levantam preocupações entre nós, profissionais, e nossos órgãos reguladores.

O repertório de efeitos colaterais de corticoides é espantoso, incluindo…

  • osteoporose
  • diabetes
  • hipertensão
  • gastrite
  • depressão
  • insônia
  • ganho de peso
  • distorções faciais
  • necrose asséptica do quadril e
  • adelgaçamento da pele [1].

Mesmo o uso tópico, como em pomadas ou colírios oftálmicos, pode ocasionar sequelas desastrosas, tais como…

  • catarata
  • glaucoma
  • perfuração da córnea
  • infecções secundárias
  • retardamento da restauração ocular [2,3].

Por esses motivos, de tempos em tempos, somos alertados por oftalmologistas [4] e pela Anvisa [5] em relação ao uso inadequado de colírios contendo corticoides.

Em vista disso, resta a dúvida: quando é que devemos prescrever colírios contendo corticoides na prática clínica pediátrica?

A resposta, como seria de se esperar, é que não devemos prescrevê-los. No post sobre Conjuntivite Viral vs Bacteriana, explicamos sucintamente como deve ser feito o manejo de uma e da outra etiologia, bem como seus cursos naturais. Quando o quadro clínico não segue aquele pressuposto ou sinais de alerta são percebidos, a avaliação de um oftalmologista é fundamental.

conjuntivite-bacterianaA título de conhecimento, corticoides tópicos são úteis para que se consiga reduzir sintomas e também minimizar a formação de cicatrizes em casos graves de ceratoconjuntivite por adenovírus com quemose importante ou então edema palpebral, descamação epitelial ou conjuntivite membranosa. É crucial que se faça um seguimento próximo de pacientes com conjuntivite adenoviral que estejam recebendo tratamento com corticoides, sendo, portanto, imprescindível o intermédio de um oftalmologista [6]. Em um modelo animal de conjuntivite por adenovírus, a administração de corticoide tópico levou a um prolongamento da eliminação de partículas virais[7]. Pacientes em uso de corticoides tópicos devem ser instruídos a manter precauções contra a transmissão do vírus por 2 semanas após os sintomas se resolverem [6].

Vale a pena lembrar que nem todos os casos de olhos vermelhos são causados por conjuntivite, bem como que as indicações de uso de corticoides tópicos pelos oftalmologistas não se limitam a esta doença [8].

Na dúvida, portanto, evite prescrever corticoide tópico oftalmológico e referencie seu paciente a um oftalmologista.

 

 

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Dr. Antonio Aurelio Euzebio Jr

Médico pediatra especializado em medicina intensiva pediátrica, com graduação e especialização pela Unicamp.

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Um comentário

  1. Prezado, em um quadro de conjuntivite, foi receitado MAXITROL por um clínico geral até a consulta com oftalmologista, nesse, fui examinado e receitado o STER MD. Dez dias após o quadro piorou com dor e pressão nos olhos. De volta a outro oftalmologista a medicação foi CETROLAC MD, HYABAC e CYLOCORT. Como estou preocupado com os efeitos do STER MD, restringir o uso de soro fisiológico. Você pode me orientar sobre o descrito acima.
    Obrigado
    Se possível responde no e-mail [email protected]

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