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Antieméticos na Gastroenterite Aguda: Quando e Qual Usar?

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Qual seria o melhor tratamento para a gastroenterite aguda? Os antieméticos? Acompanhe as últimas dicussões clínicas e científicas sobre o assunto no PortalPed.

 

A gastroenterite aguda é umas das causas mais frequentes de procura aos pronto-socorros. Os vômitos que acompanham o quadro, se não tratados, contribuem para a instalação da desidratação. Os antieméticos são medicações difusamente prescritas. Será que eles estariam indicados em todas as situações? Qual seria a melhor escolha? Leia sobre algumas de nossas conclusões acerca desse tema.

Na gastroenterite aguda viral, o uso de antieméticos de rotina não é recomendado. Por se tratar de uma doença auto-limitada, o tratamento é baseado em suporte nutricional e na reposição de fluidos e eletrólitos. Os antieméticos são indicados apenas nos casos de desidratação leve a moderada, com vômitos persistentes que interferem na terapia de reidratação oral. Na desidratação grave, a hidratação deve ser feita por via intravenosa, assim, não se deve aguardar o efeito do antiemético para iniciar sua correção [1].

 

TRATAMENTO DA GASTROENTERITE AGUDA COM ONDANSETRONA

A ondansetrona, oral ou intravenosa, foi mais eficaz na resolução dos vômitos.

A ondansetrona (antagonista do receptor de serotonina 5-HT3), oral ou intravenosa, foi mais eficaz que dimenidrato, metoclopramida ou dexametasona na resolução dos vômitos [1,2,3]. Diferentemente de outros antieméticos, ela pode ser utilizada em crianças a partir de 1 mês de vida. A medicação é absorvida na própria mucosa oral, não necessitando ser deglutida.

Uma dose única via oral de 0,15 mg/kg (dose máxima de 8 mg) foi eficaz em evitar a necessidade de hidratação intravenosa [4,5].

Existe apresentação em solução oral (não disponível no Brasil), comprimido de desintegração oral e ampola. O uso por via oral é recomendado em crianças a partir de 6 meses de idade, na apresentação de comprimido de desintegração oral [3]. A diluição para uso intravenoso pode ser feita com soro fisiológico ou glicosado e infundida em pelo menos 15 minutos. A eficácia é semelhante com a utilização via oral, com a vantagem de não causar dor na criança e ser menos onerosa.

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE DEMAIS TRATAMENTOS

entiemeticos vomitoA FDA (US Food and Drug Administration) recomenda monitoramento com eletrocardiograma (ECG) nos pacientes com risco de prolongamento do intervalo QT (insuficiência cardíaca, hipocaliemia, hipomagnesemia, bradiarritmias e pacientes que utilizam outros medicamentos que aumentam o risco de prolongamento do intervalo QT). Entre as medicações que aumentam o risco de prolongamento do QT na Pediatria, destacam-se: macrolídeos, quinolonas, amiodarona, antifúngicos (imidazólicos, triazólicos e tiazólicos), metronidazol, opioides, propofol, domperidona, metoclopramida, hidroxizine e antipsicóticos [4].

Além dos fatores de risco descritos, a utilização endovenosa e múltiplas doses aumentam o risco de arritmias. A metabolização é predominantemente hepática, assim, em casos de disfunção deste órgão, a meia-vida pode chegar a 32 horas. 

Não existem evidências científicas que comprovem a eficácia de outros antieméticos no tratamento dos vômitos nas gastroenterites agudas como: os anti-histamínicos (dimenidrato), antagonistas da dopamina (domperidona), fenotiazinas (metoclopramida e prometazina) e corticoides (dexametasona) [6,7]. Além disto, as fenotiazinas causam reações extrapiramidais, o dimenidrato pode levar a sedação e vertigem e a domperidona pode causar arritmias cardíacas e morte súbita. A metoclopramida é contraindicada em menores de 1 ano e não recomendada em menores de 18 anos [8].

 

CONCLUINDO:

  • O tratamento das gastroenterites agudas é preferencialmente apenas de suporte.
  • Eventualmente, pode ser necessária a utilização de antieméticos.
  • A ondansetrona é o único antiemético com evidência científica comprovada. 

 

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Dr. Breno Nery

Médico pediatra especializado em medicina intensiva pediátrica, com graduação pela Universidade Federal de Pernambuco e especialização pela Unicamp.

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2 comentários

  1. Olá! O autor do artigo poderia nos passar qual referência traz que a ondansetrona pode ser utilizada em crianças a partir de 1 mês de vida? Obrigada.

    1. Bom dia, nas informações sobre medicações utilizadas em Pediatria o UpToDate recomenda:
      Gastroenterite aguda – O uso rotineiro de ondansetron não é recomendado na maioria dos casos de gastroenterite aguda (AAP, 2004; CDC, 2003)

      IV: lactentes e crianças ≥1 mês: 0,15 ou 0,3 mg / kg / dose uma vez; Dose máxima: 16 mg / dose (DeCamp, 2008)

      Oral: lactentes e crianças de 6 meses a 10 anos, ≥8 kg (Freedman, 2006):

      8 a 15 kg: 2 mg / dose uma vez

      > 15 a 30 kg: 4 mg / dose uma vez

      > 30 kg: 8 mg / dose uma vez

      Náuseas e vômitos pós-operatórios – Prevenção: IV: Administrar imediatamente antes ou após a indução de anestesia ou pós-operatório se o paciente for sintomático:

      Bebés e crianças de 1 mês a 12 anos e ≤40 kg: 0,1 mg / kg / dose; Dose máxima: 4 mg / dose

      Crianças> 40 kg e Adolescentes: 4 mg / dose

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